Um movimento contra a liberalização afixou um outdoor com a seguinte frase: “Financiar clínicas de aborto com o dinheiro dos meus impostos? Não obrigado!”. A frase pode não ser exactamente esta, mas a ideia é!

Este é um falso argumento. Podem-se arranjar milhares de outros exemplos que nada têm a haver com o aborto:

  • “Financiar salas de xuto? Não obrigado!”
  • “Financiar clubes de futebol? Não obrigado!”
  • “Financiar pessoas que não querem trabalhar? Não obrigado!”

Estou convencido que este argumento é pouco melhor do que um tiro nos pés na campanha contra a liberalização do aborto.

12 Responses to “O aborto nos outdoors de campanha”

  1. Rui Rocha Says:

    Completamente de acordo. A frase leva à propagação de uma espécie de ‘liberalismo bacoco’ sem nexo algum…


  2. É um argumento falacioso. Claro que os nossos impostos vão financiar os procedimentos abortivos, tal como financiam tudo o resto. O Estado é, afinal, mantido pelos nossos impostos. E parece-me que não existirão ‘clínicas de aborto’ financiadas pelo Estado, e que o procedimento tomará lugar nos hospitais centrais.

    É um argumento falacioso, na medida em que por si não vale. Tomaria alguma força se fosse apresentado com outros argumentos convincentes. O problema é que este é o tipo de argumento falacioso em que o cidadão que não pensar criticamente irá cair facilmente.

  3. catarinia Says:

    O argumento é falacioso, como o são praticamente todos os argumentos na campanha contra a liberalização do aborto. Porque a discussão não é sobre ser a favor ou contra o aborto – o que, por princípio, a esmagadora maioria das pessoas será. A discussão é, sim, sobre considerar ou não criminosas as mulheres que, apesar de tudo – incluindo da sua própria consciência – o fazem. É sim sobre tapar o sol com a peneira e manter tudo como está – na clandestinidade – ou proporcionar às mulheres que apesar de tudo resolvem fazer um aborto, as condições de higiene, saúde e segurança para o fazerem.

    E é mais que claro que não haverão “clínicas de aborto” patrocinadas pelo Estado. Haverão sim clínicas privadas, que por isso mesmo não serão patrocinadas pelo Estado, mas antes devidamente licenciadas para o efeito. E que por isso pagarão de certeza muito dinheiro, em licenças, alvarás e impostos. Ao Estado…

  4. js Says:

    …essas palavras foram também ditas pr Bagão Félix na apresentação de um Movimento contra a despenalização da prática de aborto … mas são um erro …até porque sai muito mais caro ao país o nascimento de crianças indesejadas…
    FORÇ’AÍ!
    js de http://politicatsf.blogs.sapo.pt

  5. margarida correia Says:

    Larguem lá as retoricas! A moçoila que sofre a humilhacao no cartaz do sim foi acusada de uma data de crimes para além do aborto. Nenhuma mulher vai a tribunal ha cerca de trinta anos. Para além disto a dita assassina abortou já as 10 semanas iam longe… Querem a despenalizaçao/legalizaçao até que idade?!! Hein? O melhor é calarem essas bocas de alcuviteiras sem argumentos antes de sair a publico o que eu disse umas linhas acima… Sai mais caro ao pais crianças indesejadas? Que nojo!!! E eu que não te desejo e ainda tenho vontade de te enfiar uma faca do talho nesse rabinho? O que é que eu posso fazer? Nada! Porque o país protege-te e ainda bem!

  6. João Silva Says:

    @margarida, também não me parece que esse tipo de argumentação ajude muito a campanha do não!

  7. pajo Says:

    … e, margarida, tá mal informada.

  8. margarida correia Says:

    E ajuda ao ‘não’ comparar homicidios com clubes de futebol ou dizer obscenidades como “sai muito mais caro ao país o nascimento de crianças indesejadas…
    “? Eu prefiro empobrecer à custa de desempregados, toxicodependentes, desportistas, gente corrupta… do que dar um cêntimo que seja a esses corruptos e assassinos (2 em 1) que viverão, caso ganhe o sim, à custa do povo português e do estado indefeso dos pequenos portugueses.
    É um jogo de interesses dos grandes, é o comodismo das mulheres e a onda massificadora dos meios de comunicação que cega o meu país. Tantas mulheres arrependidas! E não é pela despenalização que a consciência de se ter acabado com uma vida, sem haver retorno, desaparece.
    Cada aborto custa cerca de 500€. Ainda que não chegue, não vale mais investi-los na ajuda às mães ou aos filhos não desejados? É que mesmo esses arrependem-se tanto de ter nascido quanto os desejados.
    Gosto mesmo de viver em Portugal, especialmente quando penso na quantidade de casas de apoio às grávidas que foram abertas desde 98. Quem luta pela vida, luta pelo filho mas acima de tudo pela mãe.

  9. João Silva Says:

    @margarida
    a minha intenção não era comparar o aborto com clubes de futebol.
    A ideia era chamar a atenção para aquilo que eu considero um mau argumento, não tomar partido por um ou outro lado.

  10. ana araujo Says:

    margarida estou totalmente de acordo contigo…

  11. Maria HM Says:

    Sinto-me verdadeiramente frustrada quando leio os argumentos da campanha pelo NÃO. Para além de ignorante e tacanha, é criminosa. A campanha pelo NÃO revela a grande irresponsabilidade e imaturidade que Portugal terá de saber superar, mais cedo do que tarde.

    Vamos lá a ver se nos entendemos, agora bem claro…Fazer um aborto, nao é o mesmo que trocar de camisola, ir almocar com os ilustres colegas ou celebrar uma missinha aqui, outra ali. Nao hajam quaisquer tipo de equivocos, a mulher que opta pelo aborto é a mulher que toma uma das decisoes mais dificeis da vida – decisao esta que a acompanhará para o resto da sua vida. Este tipo de decisao nao depende da temperatura da agua do mar, este tipo de decisao é uma necessidade incontornável. O aborto é doloroso, quer a nível físico, quer a nível emocional. Entendidos? Ponto final.

    Aos excelentíssimos defensores do NÃO, e aos membros da igreja que ferozmente defendem a continuação da penalização do aborto: é pena que a vossa contribuição seja limitada, superficial e pautada de juízos de valor mesquinhos e desnecessários. O vosso dever é contribuir de forma lúcida para uma sociedade sã, que respeite a integridade social, moral e cívica de TODOS os cidadões, homens e mulheres. A vossa função é assegurar que os mecanismos e entidades centrais (por exemplo, sistema nacional de saúde) estão aptos a oferecer todos os meios necessários de tratamento e acompanhamento aos cidadões portugueses.

    O resto? Desvarios líricos, dinheiro público mal gasto. Salários pagos a “personalidades” que não teem competência e descernimento para ocupar cargos com responsabilidade pública relevante….e que revelam deficiências em participar em discussões públicas de forma responsável, capaz e baseada em factos sociais e científicos de outros países mais “civilizados” que o nosso.

    É chocante ver o senhor cardeal fazer propaganda pela penalização do aborto. A igreja católica deveria ser, a meu ver, uma das primeiras instancias a oferecer apoio emocional a mulheres que fazem um aborto (e talvez, a familiares próximos). A posição do senhor cardeal, e da igreja católica portuguesa é egoísta e mesquinha. A posição da igreja católica portuguesa é semelhante á propaganda no tempo das trevas – e no tempo das trevas, passo a expressão, que fique apenas o Diabo.

    É simples: como cidadã e contribuinte, é meu pleno direito o acesso ao serviço nacional saúde, assim como é meu direito receber assistência profissional em todas as situações que se destinem a assegurar o meu bem estar físico e emocional.. Se é um aborto ou se é um braço partido, isso é obviamente e exclusivamente da minha conta.

    Finalmente, que se desmembrane o último dos mitos aqui envolvidos. O aborto não é feito pelas classes mais baixas. Pelo contrário. A diferença fundamental tem a haver com o poder de compra que cada um. A diferença está entre contractar os serviços de uma clínica particular especializada (ou não – o aborto não é um procedimento necessariamente acompanhado pelo médico, mas por um assistente qualificado) onde tudo é feito de forma profissional e sem riscos ou; ter de fazer um aborto numa chafarica sem quaisquer condições de higiene ou meios apropriados para efectuar o procedimento.

    A campanha pelo NÃO é surda, cega e ….. deveria ser também, muda.

    Maria HM. Empresária.

  12. annie hall Says:

    Na minha mais que humilde opnião este assunto da despenalização do aborto não devia ser sujeito a referendo.Os deputados por todos nós eleitos , são uma amostragem bem peneirada da população portuguesa e sendo assim deviam legislar e não lavar as mãos e andar de programa em programa “debatendo ” e tantas vezes falando de tudo excepto do assunto principal. Chegamos a esta fase totalmente ridicula de os adeptos do sim ou do não se degladiam tal como o fariam se em jogo estivesse a escolha da cor da bandeira nacional (assunto sério) ou do cheiro que devem ter os sabonetes nas repartições publicas, se devem haver toalhetes de papel ,mais higiénicos ,ou aquelas toalhas que rolam e que o ultimo utilizador geralmente esquece de puxar(assunto tb sério ).Não acredito que nenhuma mulher ao optar por fazer um aborto mude de ideia por pressões externas sejam elas quais forem:-medo de represalias ou promessas de uma vida melhor.
    Uma vez mais se rotulam as mulheres de baratas tontas e para meu espanto muitas ,mas mesmo muito andam contentes :(
    A campanha do não é tão agressiva como a cadeia , alem de um extremo mau gosto.A do sim , não tem sentido.
    Bastava dizer Sim ,não o justificar


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